Horas Extras Não Pagas: Como Calcular e Cobrar na Justiça em 2026

Horas Extras Não Pagas: Como Calcular e Cobrar na Justiça em 2026

Índice do artigo
Horas extras não pagas: como calcular e cobrar na justiça

Se você trabalha além da jornada regular e não recebe corretamente, saiba que não está sozinho. As horas extras são o tema mais frequente da Justiça do Trabalho brasileira.

Segundo o Relatório Geral da Justiça do Trabalho 2025, do TST, as horas extras foram o assunto mais recorrente nos processos da Justiça do Trabalho em 2025, com 921.815 ocorrências.

Neste artigo, explicamos como funciona a hora extra na CLT, como calcular o valor correto e como cobrar na Justiça.


O que diz a CLT sobre horas extras?

A jornada normal é de 8 horas diárias e 44 horas semanais (art. 7º, XIII da Constituição e art. 58 da CLT). Tudo que exceder é hora extraordinária com acréscimo obrigatório.

Seus direitos trabalhistas podem estar sendo violados

Fale com um especialista e descubra se você tem direito a uma indenização. Análise gratuita e 100% online.

Falar com advogado trabalhista

Resumo: As horas extras devem ser pagas com adicional de no mínimo 50% nos dias úteis (Art. 7º, XVI da CF), e o trabalho em domingos e feriados não compensado é pago em dobro, o que equivale a 100% (Súmula 146 do TST). O trabalhador tem até 2 anos após a demissão para cobrar na justiça, podendo recuperar os últimos 5 anos não pagos.

Adicional de hora extra

  • Mínimo de 50% sobre a hora normal (dia útil)
  • 100% em domingos e feriados
  • Convenções coletivas podem estabelecer percentuais maiores

Como calcular o valor da hora extra?

Hora normal = salário mensal / 220 (para jornada de 44h/semana)

Hora extra = hora normal x 1,5 (ou x 2 em domingos/feriados)

Exemplo prático

  • Salário: R$ 3.000,00
  • Hora normal: R$ 3.000 / 220 = R$ 13,64
  • Hora extra (50%): R$ 3.000 / 220 x 1,5 = R$ 20,45
  • 2 horas extras/dia x 22 dias = 44 horas extras/mês
  • Valor mensal: 44 x R$ 20,45 = R$ 899,80
  • Em 5 anos: mais de R$ 50.000 — sem contar reflexos

O que são os reflexos das horas extras?

Horas extras habituais incidem sobre:

  • 13º salário
  • Férias + 1/3
  • FGTS (incluindo multa de 40%)
  • Aviso prévio
  • DSR (descanso semanal remunerado)

Os reflexos podem aumentar bastante o valor total; quanto, depende do valor e da habitualidade das horas extras.


Banco de horas: quando é válido?

  • Acordo individual escrito: compensação em até 6 meses
  • Acordo coletivo: compensação em até 1 ano
  • Horas devem ser registradas e controladas
  • Se não compensar no prazo, empresa paga como hora extra com 50%

Sem banco de horas formalizado, toda hora extra deve ser paga.


Minha empresa não tem ponto. Perdi meu direito?

Não. Empresas com mais de 20 empregados devem manter controle de jornada (art. 74, §2º CLT). Sem ponto, a Justiça pode considerar verdadeira a jornada descrita pelo trabalhador (Súmula 338 do TST).


Quais provas preciso para cobrar horas extras?

  • Registros de ponto
  • E-mails e mensagens enviados fora do horário
  • WhatsApp com ordens de serviço fora do expediente
  • Testemunhas
  • Registros de sistema (login, câmeras, GPS)

Se a empresa obrigada ao registro não apresentar os controles de ponto sem justificativa, a Justiça presume verdadeira a jornada alegada pelo trabalhador. É uma presunção relativa, que pode ser afastada por prova em contrário.


Qual o prazo para cobrar?

  • Até 2 anos após a demissão para ajuizar a ação
  • Pode cobrar os últimos 5 anos de horas extras não pagas

Quanto posso receber?

No exemplo acima (2 horas extras por dia e salário de R$ 3.000), só as horas extras de 5 anos já passam de R$ 50.000, antes dos reflexos e da correção monetária. O valor real depende do salário, da jornada que você conseguir provar e do período cobrado.


GaranteDireito — atendimento 100% online

Análise gratuita via WhatsApp. Você só paga se ganhar. Atendimento em todo o Brasil. OAB/PR 101.570.


Perguntas Frequentes sobre Horas Extras

Quanto vale uma hora extra em dia útil?

No mínimo 50% a mais que a hora normal. Salário / 220 x 1,5. Ex: salário R$ 3.000 = hora extra R$ 20,45.

Empresa sem ponto elimina direito a horas extras?

Não. Quando o empregador obrigado a manter o registro de ponto não apresenta os controles sem justificativa, a Justiça presume verdadeira a jornada alegada pelo trabalhador. É uma presunção relativa, que pode ser afastada por prova em contrário (Súmula 338 do TST).

Banco de horas é legal?

Sim, se formalizado. Acordo individual: compensação em 6 meses. Acordo coletivo: 1 ano. Sem compensar no prazo, vira hora extra com 50%.

Qual o prazo para cobrar horas extras?

Até 2 anos após a demissão, cobrando os últimos 5 anos não pagos.

Horas extras refletem em outras verbas?

Sim. Refletem em 13º, férias, FGTS, aviso prévio e DSR. Podem aumentar bastante o total, conforme o valor e a habitualidade das horas extras.

Quanto posso receber numa ação de horas extras?

Depende do salário, da jornada provada e do período. Com 2h extras/dia e salário de R$ 3.000, só as horas extras de 5 anos passam de R$ 50.000, antes dos reflexos e da correção.

Atendemos em todo o Brasil. Conteúdo da equipe jurídica da GaranteDireito.

Como provar que fazia horas extras?

As provas mais comuns são: registros de ponto (cartão, eletrônico ou manual), e-mails e mensagens fora do horário, testemunhas, registros de entrada/saída do prédio, e histórico de GPS. Na ausência de controle de ponto do empregador, a Justiça pode aceitar a jornada alegada pelo trabalhador.

Qual o valor da hora extra?

A hora extra vale no mínimo 50% a mais que a hora normal (Art. 7º, XVI da CF). O trabalho em domingos e feriados não compensado é pago em dobro (Súmula 146 do TST). Convenções coletivas podem prever percentuais maiores.

Horas extras refletem nas férias e no 13º?

Sim. As horas extras habituais integram o cálculo do descanso semanal remunerado (Súmula 172 do TST), da gratificação natalina (Súmula 45 do TST) e do aviso prévio indenizado (art. 487, § 5º, da CLT). Os adicionais por trabalho extraordinário também entram no salário que serve de base ao cálculo da remuneração das férias (art. 142, § 5º, da CLT), e o FGTS incide sobre as horas extras (Súmula 63 do TST).

Compartilhe essa postagem

Entre em contato

Deseja nos contar mais detalhes da sua causa?
Estamos prontos para te responder!

Ou...