Uma das dúvidas mais comuns de quem precisa se afastar do trabalho por problema de saúde é: “Meu atestado já passou de 15 dias, ainda posso pedir o benefício?”
Resposta direta: sim. Se você é empregado de uma empresa, ela paga os primeiros 15 dias de afastamento. A partir do 16º dia, quem paga é o INSS, com o auxílio-doença, se a perícia confirmar a incapacidade e você cumprir os requisitos (Lei 8.213/1991, art. 60). Peça até o 30º dia de afastamento: depois disso, o benefício só é pago a partir da data do pedido.
Este guia responde se você ainda tem direito ao benefício. Se o que você procura é o passo a passo da entrada no INSS, veja o que fazer depois de 15 dias de atestado. E se ainda não completou os 15 dias, veja posso dar entrada no INSS antes dos 15 dias?.
Como funciona o afastamento por doença?
Quando um trabalhador com carteira assinada fica doente ou sofre um acidente, a regra geral é a seguinte:
Resumo: Se seu atestado já passou de 15 dias, o empregador deve encaminhar você ao INSS para requerer o auxílio-doença (B31). Os primeiros 15 dias são pagos pela empresa, e a partir do 16º dia o INSS assume. O pedido pode ser feito pelo Meu INSS ou telefone 135.
- Os primeiros 15 dias de afastamento são pagos pela empresa.
- A partir do 16º dia, o pagamento passa a ser responsabilidade do INSS, por meio do chamado Benefício por Incapacidade Temporária, popularmente conhecido como auxílio-doença.
Portanto, se o seu atestado indica afastamento superior a 15 dias, você pode ter direito ao benefício previdenciário, desde que cumpra os requisitos legais.
Mas e se você não pediu o benefício exatamente no 16º dia? Ainda é possível solicitar? A resposta depende da situação concreta.
Problemas com o INSS? Podemos ajudar
Benefício negado, auxílio-doença indeferido ou aposentadoria com valor errado? Nossa equipe especializada resolve 100% online.
Falar com especialista INSSQuem paga o atestado: a empresa ou o INSS?
O vínculo de trabalho define quem paga os primeiros dias. Para o benefício do INSS, a incapacidade deve durar mais de 15 dias e os demais requisitos precisam ser cumpridos.
- Empregado de empresa, exceto o doméstico: a empresa paga os primeiros 15 dias. O INSS paga a partir do 16º dia, se o benefício for concedido.
- Empregado doméstico, MEI, autônomo e facultativo: o início do pagamento pelo INSS pode ser a data em que a incapacidade começou, se o afastamento ultrapassar 15 dias e o pedido for feito em até 30 dias.
Essa diferença entre categorias é explicada nas perguntas frequentes do INSS. Se o seu afastamento é maior, veja atestado de 45, 90 ou 180 dias: como proceder.
Existe prazo máximo para pedir o benefício?
Não existe um prazo de apenas 15 dias para solicitar o benefício. Esse é um dos maiores equívocos.
O que a lei estabelece é que:
- A empresa paga os primeiros 15 dias.
- O INSS paga a partir do 16º dia, se houver incapacidade comprovada.
Se você demorou para dar entrada no pedido, isso não significa que perdeu automaticamente o direito. Mas atenção: se o pedido for feito depois do 30º dia de afastamento, o benefício só é pago a partir da data do pedido, para todos os segurados (Lei 8.213/1991, art. 60, § 1º). E, sem documentos da época, fica mais difícil provar a incapacidade desde o início.
Posso pedir mesmo depois de já ter voltado ao trabalho?
Sim, é possível. Mas a situação se torna mais delicada.
Na prática: esse pedido só gera pagamento se for feito em até 30 dias do início do afastamento. Depois do 30º dia, o benefício só é pago a partir da data do pedido. Como nessa data você já voltou a trabalhar, não há valores a receber (Lei 8.213/1991, art. 60, § 1º; Decreto 3.048/1999, art. 72, III).
Se você ficou afastado por mais de 15 dias, retornou ao trabalho e só depois decidiu pedir o benefício, será necessário comprovar que, naquele período anterior, você estava realmente incapacitado para exercer suas funções.
Nesse caso, o INSS analisará:
- A data de início da incapacidade;
- A coerência dos documentos médicos;
- A existência de exames e laudos contemporâneos ao afastamento.
Por isso, peça antes do 30º dia de afastamento.
E se foram vários atestados menores?
Muitas pessoas não ficam afastadas por 15 dias seguidos. Às vezes, apresentam:
- 7 dias de atestado;
- Retornam ao trabalho;
- Depois recebem mais 10 dias pela mesma doença.
Se você voltar ao trabalho e se afastar de novo pelo mesmo motivo em até 60 dias, contados do retorno, os afastamentos se somam. Nesse caso, o INSS paga a partir do dia seguinte ao que completar os 15 dias (Decreto 3.048/1999, art. 75, §§ 4º e 5º).
Isso significa que, mesmo sem um único atestado superior a 15 dias, pode haver direito ao benefício se a soma ultrapassar esse limite.
Atestados com CID diferente: como organizar a conferência
Guarde os atestados na ordem das datas, com o começo e o fim de cada afastamento e os dias em que voltou ao trabalho. Se os documentos descrevem quadros diferentes, peça ao médico que esclareça a relação entre eles, quando houver.
Apresente o conjunto no pedido e confira a regra de soma explicada acima. Não altere o documento nem troque o código por conta própria para tentar juntar períodos; a conferência precisa usar a informação médica real.
Quais são os requisitos para receber o benefício?
Não basta o atestado ter mais de 15 dias. É preciso cumprir os requisitos exigidos pelo INSS:
Na prática: você pode fazer o pedido pelo app Meu INSS ou pela Central 135. Pedir cedo dá tempo de reunir a documentação com calma.
1. Qualidade de segurado
Você deve estar contribuindo para a Previdência Social ou dentro do chamado período de graça, que mantém a proteção mesmo após a interrupção das contribuições por determinado tempo.
2. Carência
Em regra, são exigidas 12 contribuições mensais até a data em que a incapacidade começou.
Há exceções: acidente de qualquer natureza, doença profissional ou do trabalho e doença grave da lista oficial dos Ministérios da Saúde e da Previdência Social, se ela surgiu depois da filiação ao INSS (Lei 8.213/1991, art. 26, II).
3. Incapacidade temporária comprovada
É necessário comprovar que a doença ou lesão impede temporariamente o exercício da atividade habitual.
Sem esses requisitos, o benefício pode ser negado, ainda que o afastamento tenha superado 15 dias.
O papel da perícia médica
O benefício não é concedido apenas com base no atestado. O INSS realiza uma perícia médica para avaliar:
- Se há incapacidade;
- Se ela é temporária;
- Desde quando ela existe;
- Qual o tempo estimado de recuperação.
O perito pode concordar ou não com o médico assistente. Por isso, é essencial apresentar documentação completa e coerente.
Como dar entrada no INSS com atestado: passo a passo no Meu INSS
1. Reúna a documentação médica. Você vai precisar de:
- Atestados e laudos com o diagnóstico por extenso ou o CID (código da doença), legíveis
- Relatório do médico descrevendo o diagnóstico, o tratamento e o tempo estimado de afastamento
- Exames, receitas e comprovantes de internação, se houver
- Documento de identidade e CPF
2. Acesse o Meu INSS. Entre no aplicativo ou no site meu.inss.gov.br com sua conta gov.br. No campo “Do que você precisa?”, digite “Benefício por incapacidade” e escolha “Pedir Novo Benefício”. Siga as instruções e envie os documentos solicitados. Esse é o caminho informado no serviço oficial de auxílio por incapacidade temporária.
3. Escolha entre Atestmed e perícia presencial. O INSS analisa documentos médicos à distância pelo Atestmed: auxílio-doença sem perícia presencial. Hoje, o limite é de até 90 dias somados de benefício por essa via (Portaria Conjunta MPS/INSS nº 14/2026, prorrogada por mais um ano pela nº 43/2026). Basta anexar documento oficial com foto e o atestado dentro dos padrões exigidos: legível, com data, diagnóstico por extenso ou CID, assinatura, nome e registro do médico no conselho (ou carimbo) e tempo de repouso indicado. Se a documentação não bastar, o pedido é negado: cabe recurso em 30 dias ou novo pedido pelo Atestmed 30 dias depois da decisão. A perícia médica presencial (que pode ser por telemedicina) é obrigatória quando a soma dos benefícios passa do limite de 90 dias ou depois de três negativas seguidas por análise documental (Portaria Conjunta MPS/INSS nº 13/2026, arts. 6º e 8º).
4. Informe a data de início da incapacidade. O sistema pede a DID (data de início da doença) e a DII (data de início da incapacidade). Preencha com base no primeiro atestado que gerou o afastamento.
5. Acompanhe o resultado. No acordo homologado pelo STF (RE 1.171.152), o INSS se comprometeu a concluir a análise do auxílio-doença em até 45 dias depois da perícia. Você acompanha tudo em “Consultar Pedidos” no Meu INSS. Se aprovado, o benefício é liberado com uma DCB (data de cessação) já marcada, o chamado alta programada.
Quais documentos aumentam as chances de aprovação?
Se o seu atestado já passou de 15 dias, organize:
- Atestados médicos detalhados;
- Relatórios com descrição das limitações;
- Exames que comprovem a doença;
- Receitas médicas;
- Prontuários, quando possível;
- Documentos que demonstrem a função exercida no trabalho.
O ideal é que os documentos expliquem claramente por que você não pode exercer sua atividade profissional.
O benefício pode ser retroativo?
Depende do caso.
Para empregados com carteira assinada (exceto o doméstico), o benefício é devido a partir do 16º dia de afastamento, se o pedido for feito até o 30º dia. Se o pedido for feito depois do 30º dia de afastamento, o benefício só é pago a partir da data do pedido (Lei 8.213/1991, art. 60, § 1º). Essa regra dos 30 dias vale para todos os segurados.
Para contribuintes individuais e MEIs, quando a incapacidade passa de 15 dias, o benefício é devido desde o início da incapacidade, desde que o pedido seja feito em até 30 dias do afastamento (Lei 8.213/1991, art. 60, § 1º).
Cada situação deve ser analisada individualmente.
O que acontece se eu demorar para pedir?
Quanto mais tempo você demora, maiores podem ser as dificuldades para comprovar a incapacidade no período correto.
Entre os possíveis impactos estão:
- Dificuldade em comprovar a data exata de início da incapacidade;
- Fixação do benefício apenas a partir da data do pedido;
- Necessidade de apresentar documentação complementar;
- Maior risco de negativa.
Por isso, sempre que possível, o ideal é solicitar o benefício assim que ficar claro que o afastamento ultrapassará 15 dias.
E se o pedido for negado?
A negativa não significa que você não tem direito.
Você pode:
- Apresentar recurso administrativo;
- Fazer novo pedido com documentos mais completos;
- Buscar a via judicial, caso haja elementos que comprovem a incapacidade.
Muitas negativas ocorrem por falhas na documentação ou por ausência de detalhamento nos relatórios médicos.
A doença garante automaticamente o benefício?
Não. O que garante o benefício não é o nome da doença, mas a incapacidade para o trabalho.
Uma mesma doença pode gerar incapacidade para uma pessoa e não para outra, dependendo:
- Da função exercida;
- Da gravidade do quadro;
- Das limitações específicas.
O foco da análise é sempre a impossibilidade de exercer a atividade habitual.
Erros comuns que prejudicam o pedido
Alguns erros frequentes incluem:
- Atestado sem descrição da limitação funcional;
- Falta de exames atualizados;
- Documentação ilegível;
- Informações divergentes entre laudos;
- Trabalhar enquanto recebe benefício;
- Não comparecer à perícia.
Evitar esses problemas aumenta significativamente as chances de aprovação.
Quando procurar orientação especializada?
Pode ser importante buscar orientação quando:
- O pedido já foi negado;
- Existe dúvida sobre retroatividade;
- Houve afastamentos intercalados;
- O trabalhador já retornou ao trabalho;
- A incapacidade é recorrente.
Uma análise técnica pode esclarecer se ainda há possibilidade de reconhecimento do direito.
Conclusão
Se o seu atestado já passou de 15 dias, você ainda pode solicitar o benefício. O fato de não ter feito o pedido imediatamente não significa que perdeu o direito.
No entanto, será essencial comprovar:
- Que estava incapacitado para o trabalho;
- Que cumpria os requisitos previdenciários;
- Que a incapacidade existia no período alegado.
Organizar a documentação médica e agir o quanto antes são medidas fundamentais para evitar problemas.
A proteção previdenciária existe para garantir renda ao trabalhador em momentos de fragilidade. Conhecer as regras e agir de forma estratégica pode fazer toda a diferença no resultado do seu pedido.
Se você ainda tem dúvidas ou quer saber qual é a melhor estratégia para o seu caso, fale agora com um especialista. Uma análise individual pode aumentar suas chances de aprovação e evitar erros que levam à negativa do benefício. Entre em contato e receba orientação segura sobre o seu direito.
Clique aqui e fale com um especialista
Perguntas Frequentes sobre Auxílio-Doença após 15 Dias de Afastamento
Sim. Mesmo que você não tenha solicitado exatamente no 16º dia, ainda é possível pedir o benefício, desde que consiga comprovar que estava incapacitado para o trabalho no período indicado. Peça até o 30º dia de afastamento: depois disso, o benefício só é pago a partir da data do pedido (Lei 8.213/1991, art. 60, § 1º).
Não existe um prazo de apenas 15 dias para dar entrada. Mas o prazo de 30 dias importa: se o pedido for feito depois do 30º dia de afastamento, o benefício só é pago a partir da data do pedido, para todos os segurados (Lei 8.213/1991, art. 60, § 1º). Além disso, quanto mais tempo passar, mais difícil fica comprovar a incapacidade desde a data correta.
Para o empregado com carteira assinada (exceto o doméstico), a empresa é responsável pelo pagamento dos primeiros 15 dias. A partir do 16º dia, a responsabilidade passa a ser do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), se houver concessão do benefício.
Sim, se o pedido for feito em até 30 dias do início do afastamento. Será necessário comprovar que, durante o afastamento, você realmente estava incapacitado para exercer suas funções. Depois do 30º dia, o benefício só é pago a partir da data do pedido e, como você já voltou a trabalhar, não há valores a receber (Lei 8.213/1991, art. 60, § 1º; Decreto 3.048/1999, art. 72, III).
Sim. Se você voltar ao trabalho e se afastar de novo pelo mesmo motivo em até 60 dias, contados do retorno, os afastamentos se somam. O INSS paga a partir do dia seguinte ao que completar os 15 dias (Decreto 3.048/1999, art. 75, §§ 4º e 5º).
Em regra, são exigidas 12 contribuições mensais (carência). Existem exceções: acidente de qualquer natureza, doença profissional ou do trabalho e doença grave da lista oficial dos Ministérios da Saúde e da Previdência Social, se ela surgiu depois da filiação ao INSS (Lei 8.213/1991, art. 26, II).
Não. O atestado é um documento importante, mas o benefício depende da avaliação da perícia médica do INSS, que verificará se há incapacidade temporária para o trabalho.
Pode, se o pedido for feito em até 30 dias do afastamento: o pagamento vale desde o 16º dia (empregado de empresa) ou desde o início da incapacidade (demais segurados, inclusive o doméstico). Se o pedido for feito depois do 30º dia, o benefício só é pago a partir da data do pedido (Lei 8.213/1991, art. 60, § 1º). Em qualquer caso, é preciso comprovar a incapacidade no período.
Você pode apresentar recurso administrativo, fazer um novo pedido com documentação mais completa ou, se necessário, buscar a via judicial para discutir o direito.
Atestados detalhados, laudos médicos com descrição das limitações, exames atualizados, receitas, relatórios médicos e documentos que comprovem sua função no trabalho são essenciais para fortalecer o pedido.
11. A empresa pode me demitir durante o afastamento pelo INSS?
Não. Enquanto você recebe o auxílio por incapacidade temporária, o contrato de trabalho fica suspenso. A demissão sem justa causa nesse período é irregular.
12. Preciso ir presencialmente ao INSS depois dos 15 dias?
Nem sempre. Com o Atestmed, a análise pode ser feita 100% pelos documentos anexados no Meu INSS. A perícia presencial só ocorre se o sistema exigir.
13. Meu atestado não tem CID. Isso é problema?
Não, se o diagnóstico estiver escrito por extenso. A regra aceita o diagnóstico por extenso no lugar do CID, e a própria perícia registra o código a partir da descrição (Portaria Conjunta MPS/INSS nº 13/2026, art. 2º). Confira se o atestado traz o diagnóstico, o tempo de repouso e a assinatura com nome e registro do médico no conselho (ou carimbo).
14. Quanto tempo o INSS demora para pagar?
A lei manda o INSS fazer o primeiro pagamento em até 45 dias depois que você entrega a documentação completa (Lei 8.213/1991, art. 41-A, § 5º). Após a aprovação, o primeiro pagamento costuma sair em poucas semanas, com os valores atrasados desde o início do benefício.
15. Posso trabalhar recebendo o auxílio-doença?
Não. O benefício pressupõe incapacidade para o trabalho. Exercer atividade remunerada pode levar ao cancelamento do benefício a partir do retorno à atividade (Lei 8.213/1991, art. 60, § 6º) e à cobrança dos valores recebidos indevidamente.
Fontes e Legislação
- Lei 8.213/91 – Planos de Benefícios da Previdência Social
- Portal Oficial do INSS
- Meu INSS – Serviços Online
- Constituição Federal (Planalto)
Leia também
- Auxílio-Doença para MEI e Autônomos: É Possível Receber o Benefício?
- Direitos sobre Auxílio-Doença: quem tem direito, como solicitar e o que fazer se o INSS negar
- Posso Trabalhar Recebendo Auxílio-Doença? Entenda as Regras e Evite Perder Seu Benefício
- Indeferimento do INSS: os principais motivos que levam à negativa
- Posso acumular mais de um benefício previdenciário? Entenda o que a lei permite
- Você pode estar perdendo dinheiro todo mês com um benefício do INSS concedido errado
- Direito Previdenciário vs. Reforma da Previdência: o que mudou e como você pode ser afetado
Precisa de ajuda com o INSS?
Áreas de atuação relacionadas a este artigo:
- Advogado Previdenciário →
Especialista em todos os benefícios do INSS. Atendimento 100% online.